Diários de um Superman


Dia das Mães

 

Hoje é o dia das mães e quero aproveitar pra homenager as nossas mães.

O primeiro agradecimento é para a mãe de Krypton, Lara, que me trouxe e me tirou do mundo, antes que ele explodisse, numa atitude característica de quem ama com amor de mãe.

Agradeço a mãe da Terra, Martha Kent, que me pariu de um cometa e me acolheu em seu seio, chamando-me de filho ao primeiro olhar. Não foi fácil criar e educar um filho com peculiaridades como as minhas.

Agradeço também à Mãe Maria, Nossa Senhora, mãe de todos nós, verdadeira protetora desse planeta, com seu manto azul.

Finalmente, agradeço à Mãe Terra, ou Mãe Natureza, como queiram; tão maltratada, ultrajada, humilhada e continua nos amando sem cessar, oferecendo generosamente calor, abrigo e alimento.

Mãe é Mãe mesmo, sempre.

Feliz dia das mães a todos.

 

 



Escrito por Kal-El às 08h38
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Super-vilões

 

A vida de um super-herói dos dias de hoje não é algo fácil. No que se refere á participação dos vilões, há algo especialmente digno de comentário.

 

Você poderia perguntar: não seria tão mais fácil o Superman simplesmente “fritar” Lex Luthor com sua visão de calor e caso resolvido? Nunca mais esse sujeito perturbaria de novo, não é mesmo?

 

Ou: o Superman é tão controlado que irrita, termina deixando o vilão sair ileso, várias e várias vezes, na ânsia de pegá-lo vivo para ser julgado; poderia executá-lo ali mesmo e fim de papo.

 

Mas não é assim que as coisas se resolvem.

 

Hoje mesmo enfrentei diversos super-vilões, o que me inspirou a escrever esse blog. Tive que usar meus super-poderes, mas o combate não destruiu prédios, não houve notícia no Daily Planet, nem tomou os céus de Metrópolis.

 

A luta foi silenciosa, travada em dimensões que a percepção nem sempre capta e algo mais significativo foi destruído: paradigmas.

 

Hoje enfrentei alguém que tinha poderes para responder a um bom dia ou de dizer obrigado a uma gentileza, mas não o fez.

 

Às vezes os vilões manifestam seus poderes do mal somente através do não-uso dos poderes do bem.

 

Enfrentei também um piloto de nave terrestre que, só porque ostentava um adesivo da polícia local, achou que poderia fechar o estacionamento de muitos em favor exclusivo dele. Ele tinha o poder de agir diferente, mas não o fez.

 

Enfrentei também um alienígena que tinha na cabeça um capacete cheio de más intenções. Ele queria me repassar dinheiro para subornar um agente da Justiça em favor dele. Ao que parece, isso é comum no planeta dele, mas por aqui há guardiões suficientes – os super-heróis, nos quais me incluo – para não deixar mais que isso aconteça.

 

Em todos esse exemplos de situações, alguém como eu, dotado de superforça, invulnerabilidade, visão de calor, dentre outros poderes, poderia facilmente resolver a questão.

 

Admito que muita gente definitivamente deixaria de cumprimentar as pessoas como modo de fazê-las não exercer a má-educação. Se fosse outro, ergueria o carro do piloto egoísta e jogaria longe para que nunca mais o engraçadinho abuse de suas pífias e transitórias prerrogativas terrenas. Outros prenderiam o alienígena criminoso, mostrando que pessoas não são objetos de compra.

 

Porém, como disse o Tio Ben, tio do Homem-Aranha, “um grande poder exige uma grande responsabilidade”.

 

Seria até mesmo fácil esmagar assim esses super-vilões. Mas "fácil" é algo incompatível com a realidade de um Superman. Ao contrário, rigorosamente tudo passa pelo caminho do "não-fácil"; senão não seria mais um trabalho para o Superman.

 

O trabalho do Superman não se resume a enfrentar e vencer os super-vilões, mas enfrentar e vencer a si próprio. Não se deixar contagiar pelos podres-poderes, usando de sua invulnerabilidade merecida ou conquistada. Educa pelo exemplo, com paciência e da tolerância. Enfim, combate o mal com o bem.

 

Boa sorte a todos que se propõem a ser um Superman no mundo de hoje.

 



Escrito por Kal-El às 15h56
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Lois e a Kryptonita

 

Vocês podem pensar que o que mais afeta um Superman é a famosa "Kryptonita", mas estão enganados. O verdadeiro ponto fraco do Superman é a Lois.

A Kryptonita só me afeta de perto; Lois, basta pensar nela.

A Kryptonita só altera meus poderes; Lois, meu coração e mente.

A Kryptonita pode me matar se chegar perto demais; Lois, basta estar longe.

A Kryptonita tem efeitos diferentes, dependendo da cor; Lois tem todas as cores e produz todos os efeitos em mim.

A Kryptonita é resultado da explosão de um planeta; Lois explode em meu peito.

A Kryptonita representa o velho, a morte, a agressão; Lois é vida nova, é vivificante; apenas amor.

Se Lois soubesse o quanto a amo só voaria em meus braços.

Mas o Clark Kent fala mais alto, se impõe, se torna mais super que o Super. E o Super se intimida, se isola na Fortaleza da Solidão, fria e protetora. Acha que vai viver a vida inteira, que Lois será aparentemente imortal como ele, e não declara o seu amor. Esperando e esperando.

Como um ser tão poderoso, capaz de saltar prédios, dar voltas na Terra num piscar de olhos ou sobreviver ao núcleo de um vulcão; sucumbre à presença de Lois? Minha visão de calor não é tão poderosa quanto o calor da visão de Lois. O Homem de Aço se derrete.

O "S" em meu peito só falta explodir de amor contido. A dor da krytonita torna-se tolerável, tão irrisória, perto da ausência de Lois...

 



Escrito por Kal-El às 23h20
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Inferno Astral

 

Como de costume, à época da passagem do sol amarelo desse sistema solar pelo meu signo zodiacal, entrei no chamado "inferno astral", que, para um super-herói, não é tão simples assim.

Apesar de esse sol amarelo ser a fonte de meus poderes, quando ele passa pelo meu signo, na época do meu aniversário -- que é nos dias de hoje -- várias coisas estranhas acontecem.

É a época em que estou mais vulnerável. Então, todos os bandidos resolvem se juntar e atacar de uma vez; acumulam-se tarefas; há confusão e descoordenação de poderes; e é o momento em que as questões pessoais, familiares e emocionais mais desconcentram o trabalho de um super-herói.

Mas percebi que, depois que passa esse caos todo, o resultado é positvo. Foi mais difícil vencer os bandidos. Eles de fato foram derrotados, mas com criatividade e paciência e não com força bruta. Percebi que posso realizar mais tarefas ao mesmo tempo. Mais do que antes julgava ser capaz. Depois do descontrole com meus poderes, percebi-me mais ainda senhor deles e também novas maneiras de coordená-los.

Quanto às questões pessoais, notei que, não é que elas atrapalhem o foco do trabalho, mas elas são "o foco", o ponto central da vida, e que aproveitaram esse momento de suposta fragilidade para se apresentar como realmente são: essenciais.

Boa sorte a todos nessa caminhada de ser um super-herói nos dias de hoje.

 



Escrito por All às 13h01
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O Início

 

 

O INÍCIO

 

 

Desde minha infância, sempre fui fascinado pelos super-heróis dos quadrinhos, principalmente o Superman, que, único sobrevivente de um planeta extinto, Krypton, estaria estava acima das vicissitudes terrenas, pois podia voar, correr em altas velocidades, enxergar através de paredes e destruir objetos por um simples olhar. Eu realmente queria ser um super-herói como esse. Ser Superman é estar, pelo menos, no andar de cima da humanidade.

 

Passada a infância, a admiração e o desejo não. Tomado siso de mim, me perguntava como eu poderia voar em busca de bandidos pra prender, de balas perdidas pra deter, de ver através das coisas; enfim, de como essa simbologia fictícia poderia ter alguma aplicação de verdade, enquanto o Superman ia definitivamente se fixando em mim. Isso levou as pessoas as pensarem que a infância se manteve inalterada.

 

Percebi então que eu tinha adquirido alguns dos poderes do Superman: passava em alta velocidade e acima dos problemas dos menos afortunados, dos pedintes de rua, das crianças abandonadas; enxergava através da dor dos problemas de quem vara madrugadas nas filas de hospitais ou em leitos de oncologia infantil; que meu corpo, e, ao que parece, principalmente o coração, também se tornaram de aço.

 

Talvez eu tivera a sorte de ser exposto a alguma kryptonita, que, ao invés de me matar, me salvou. Diminuídos os poderes, pude ver e sentir o que antes era impossível.

 

Percebi que o verdadeiro super-herói, o Superman que o mundo de hoje precisa, não é o dos quadrinhos, dedicado a combater o crime. Isso é trabalho de polícia, promotores e juízes; outro tipo de heróis.

 

O Superman que o mundo de hoje precisa é o homem normal, dotado unicamente dos super poderes de estar sempre alerta para o próximo, que voa na velocidade do pensamento e usa sua visão  de raios-X, para procurar quem precisa de um pneu ou carona na rua, que usa sua visão de calor para dar o cafezinho com pão pra quem se refrigera na madrugada de uma fila, a comida para quem tem fome, o super sopro para dar a palavra amiga ao desesperado, a orientação ao infante, o ânimo ao doente e a certeza de amparo ao abandonado social.

 

Ao menos essas características são comuns aos Superman´s dos quadrinhos e da visão ideal: eles se doam, às vezes mais do que podem, pelo simples amor à humanidade.

 

Percebi, afinal, que eu posso ser esse Superman. E o melhor de tudo é que você também pode!

 

Se bem me recordo, o primeiro deles foi um homem simples, mas de muito amor no coração, que andou pela Terra dando seu exemplo, há uns dois mil anos.

 

 

 

 

 



Escrito por All às 22h34
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