Fortaleza da Solidão

Tem dias em que a gente tem vontade de simplesmente por a capa vermelha de lado, retirar o “S” do peito e socar a cara dos vilões que a vida põe na nossa frente; de usar todos os nossos superpoderes para dizimar o “inimigo”; de se deixar tomar pela fúria do combate.
Como se pudessem não coexistir o uniforme e o poder, ou seja, como se o superpoder e a responsabilidade sobre o superpoder, para um Superman, pudessem existir em separado.
Mas não podem… não para um Superman de verdade.
Hoje enfrentei uma supervilã, daquelas ruinzinhas mesmo, que jogam baixo, capazes de colocar a população inocente em risco sem o menor problema de consciência.
Ela me atacou com tudo e mais a Krytonita preta: aquela que dissocia o indivíduo em sua dupla natureza, boa e má.
Ela quase consegui fazer isso comigo: emergir a minha natureza irracional, ainda contida pela racionalidade, e me associar à baixeza dela; o mau sobrepujando o bom.
Mas nessas horas a gente não pode se deixar levar pela vibração da Kryptonita preta.
Saber recuar é mais que vencer, é saber combater. Dominar o inimigo sem lutar, isso sim, é o cúmulo da habilidade (Sun Tzu – A arte da guerra).
Então o segredo é dar uma corridinha, em supervelocidade, para o Pólo Norte, para bater um papo com Jor-El, gastar a adrenalina e esfriar a cabeça na Fortaleza da Solidão, onde se armam projetos, se guardam propostas de vida ideal e se preserva a verdadeira essência de um Superman, que não deve jamais ser desvirtuada pelos embates com seres como os que enfrentei hoje.
Boa sorte a todos que enfrentam diariamente os desafios de se tornar um Superman.
Escrito por Kal-El às 01h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|