Diários de um Superman


Um Superman diferente

   

Hoje vi um Superman que tinha poderes diferentes dos meus.

        Ele era resistente ao calor, porque ficava o dia inteiro ao sol não e adoecia como uma pessoa normal.

Ele também era muito forte, porque, apesar da ter as pernas curtas e finas, movimentava-se apenas com os braços. O que é estranho porque ele não parecia se alimentar muito.

Ele era capaz de disparar sorrisos a todos que passavam por ele, ajudando-o ou não.

Ele era invulnerável à humilhação pública de pedir esmolas para sobreviver.

E ele conseguia ficar invisível, porque várias vezes ele falava com as pessoas e elas agiam como se ele não estivesse ali.

  Esse Superman também tinha contra ele vilões diferentes dos meus.

          Pareciam pessoas normais, mas faziam umas caretas estranhas quando chegavam perto dele e soltavam raios pelos olhos.

         Tinha também uns monstros que o atacavam. Eram chamados de “preconceito”, “falta de caridade” e “desprezo”.

         Vi também alguns vilões invisíveis, que, a certa distância, limitavam-se a rir e a torcer pelos outros monstros.

         Embora houvesse muitos desafios, com apenas um poder esse Superman os vencia: coragem.

 

E ele seguia em frente, sem parecer precisar da ajuda dos meus poderes. E eu, cá comigo, mesmo Superman, me senti tão fraquinho...

 

Essa cena me lembrou uma passagem da música de Phil Colins, “Another day in paradise”, que, em tradução livre, diz assim:

 

Ela se dirige ao homem na rua

"O senhor você pode me ajudar?

Está frio e não tenho onde dormir,

Há algum lugar que o senhor possa me indicar?"

Ele continua andando, não olha pra trás

Finge que não pode ouvi-la

Começa a assobiar enquanto atravessa a rua

Parece embaraçado por estar ali

Oh, pense duas vezes, é apenas mais um dia para você e eu no paraíso.

 

Boa sorte a todos que encaram o desafio de ser um Superman nos dias de hoje.



Escrito por Kal-El às 11h26
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Zona Fantasma

          

 

         Nos filmes do Superman, a zona fantasma é o limbo para onde o Conselho de Krypton exilou os seus três cidadãos que tentaram dominar o planeta: Zod, Non e Ursa. Depois eles se libertaram e vieram para a Terra, onde enfrentaram o Superman.

         Escolhi falar desse tema porque aqui, na vida real, há diversas formas de estar na “zona fantasma”. E ingressar nela, conscientemente ou não, não é nada bom.

         Vamos falar de algumas.

         Algumas pessoas habitam o mundo real, o mundo físico, mas suas existências acontecem verdadeiramente no mundo virtual, o mundo cibernético da internet.

         Essas pessoas se isolam de outras, que não pela tela do computador. Só têm acesso à informação ou serviços, mediante os canais eletrônicos. Esquecem-se de parentes e amigos do mundo físico, vivendo em completa simbiose com a duplinha hardware/software.

Outros não vivem nem numa realidade nem noutra. Estão na Terra em completa alienação, parecendo que vieram de férias. Não recebem o conhecimento ou a informação por nenhum canal, físico ou eletrônico, porque não querem. Limitam-se a passar a vida do desfrute de prazeres passageiros.

Maior preocupação há com aqueles que sofrem o exílio involuntariamente e estão na “zona fantasma” só por falta de oportunidade de acesso ao conhecimento ou informação.

Embora estejam nesse limbo social, a prisão é mantida ou reforçada por nossos próprios atos. São os pobres, humildes e necessitados, os pedintes e garotos de rua, pelos quais comumente passamos nas ruas e olhamos através deles, como se fossem mesmo fantasmas; só que de carne e osso.

Hoje ouvi o comentário de um amigo, que por sua vez disse ter ouvido a declaração de alguém, num canal de informação, mencionando que o brasileiro é craque de futebol porque, desde criancinha, do mais pobre ao mais rico, não falta à sua disposição um campo e uma bola.

Imagine o que não faríamos se fosse disponibilizado, igualmente ao campo e a bola, livros, computadores, professores, escolas de qualidade, alimentação adequada, paz social?

Eu não sou muito de apresentar o problema e esquecer das soluções, mas há certas situações que nem mesmo um super-herói pode resolver sozinho, se antes não partir do próprio indivíduo a conscientização e a mobilização para lutar contra certas posturas, condutas, paradigmas e insensibilidades.

É uma questão de respeito ao livre-arbítrio de cada um. Forçar isso, nem Jesus o fez; quiçá nós, meros supermans.

 

Boa sorte a todos que, de boa-vontade, aceitam o desafio de ser um Superman nos dias de hoje.



Escrito por Kal-El às 02h14
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