Zona Fantasma
 
Nos filmes do Superman, a zona fantasma é o limbo para onde o Conselho de Krypton exilou os seus três cidadãos que tentaram dominar o planeta: Zod, Non e Ursa. Depois eles se libertaram e vieram para a Terra, onde enfrentaram o Superman.
Escolhi falar desse tema porque aqui, na vida real, há diversas formas de estar na “zona fantasma”. E ingressar nela, conscientemente ou não, não é nada bom.
Vamos falar de algumas.
Algumas pessoas habitam o mundo real, o mundo físico, mas suas existências acontecem verdadeiramente no mundo virtual, o mundo cibernético da internet.
Essas pessoas se isolam de outras, que não pela tela do computador. Só têm acesso à informação ou serviços, mediante os canais eletrônicos. Esquecem-se de parentes e amigos do mundo físico, vivendo em completa simbiose com a duplinha hardware/software.
Outros não vivem nem numa realidade nem noutra. Estão na Terra em completa alienação, parecendo que vieram de férias. Não recebem o conhecimento ou a informação por nenhum canal, físico ou eletrônico, porque não querem. Limitam-se a passar a vida do desfrute de prazeres passageiros.
Maior preocupação há com aqueles que sofrem o exílio involuntariamente e estão na “zona fantasma” só por falta de oportunidade de acesso ao conhecimento ou informação.
Embora estejam nesse limbo social, a prisão é mantida ou reforçada por nossos próprios atos. São os pobres, humildes e necessitados, os pedintes e garotos de rua, pelos quais comumente passamos nas ruas e olhamos através deles, como se fossem mesmo fantasmas; só que de carne e osso.
Hoje ouvi o comentário de um amigo, que por sua vez disse ter ouvido a declaração de alguém, num canal de informação, mencionando que o brasileiro é craque de futebol porque, desde criancinha, do mais pobre ao mais rico, não falta à sua disposição um campo e uma bola.
Imagine o que não faríamos se fosse disponibilizado, igualmente ao campo e a bola, livros, computadores, professores, escolas de qualidade, alimentação adequada, paz social?
Eu não sou muito de apresentar o problema e esquecer das soluções, mas há certas situações que nem mesmo um super-herói pode resolver sozinho, se antes não partir do próprio indivíduo a conscientização e a mobilização para lutar contra certas posturas, condutas, paradigmas e insensibilidades.
É uma questão de respeito ao livre-arbítrio de cada um. Forçar isso, nem Jesus o fez; quiçá nós, meros supermans.
Boa sorte a todos que, de boa-vontade, aceitam o desafio de ser um Superman nos dias de hoje.
Escrito por Kal-El às 02h14
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