Crash – No limite
Ontem vi o filme “Crash – No limite”. Achei a estória linda, um primor de direção e roteiro; e queria compartilhar as impressões com vocês.
O filme retrata o caldo social letal, decorrente de ódio contido, preconceito e, principalmente, ignorância que carregamos conosco. Embora se passe na Cidade de Los Angeles, EUA, poderia acontecer em qualquer cidade do mundo, pois, infelizmente, a ignorância – em suas mais variadas formas e que nos afasta do caminho da virtude – ainda é muito presente; não sendo exclusividade dos nossos irmãos estadunidenses. Portanto, nada de preconceito, já desde o início.
Os personagens do filme incorrem em diversas situações constrangedoras e, até mesmo, criminosas, basicamente por ignorância; quer seja social, geográfica ou mesmo espiritual.
Até os personagens mais agressivos e ignorantes do filme concluem que suas situações poderiam ser melhores caso lhes fossem ofertadas as mesmas chances, as mesmas oportunidades, o acesso igualitário aos meios de vida: educação, trabalho, dentre outros.
O personagem central, o policial, apesar de imerso nessa mesma circunstância, consegue atinar que todos nós estamos interligados numa grande corrente, mas cristalizados em mundos particulares naquela grande coletividade, e que a “vida” provoca os choques (crash) necessários à cura dessa cristalização.
Fica bem claro no filme que nem sempre essa “cura” ou “choque” se dá da maneira mais ortodoxa: há choques que precisam ser fortes, grandes feridas precisam de tratamentos proporcionalmente intensos.
De minha parte, expectador apenas, senti repetidamente a amorosa mão de Deus em cada desfecho aparentemente trágico do filme: os casuais choques.
Comumente dizemos que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Discordo. Nós é que somos míopes e hipermetróficos e não enxergamos as mensagens que nos chegam de forma tão clara. Precisamos de tintas fortes e altos contrastes. Só não sabemos ainda é que não enxergamos a nós mesmos na nossa tola presunção.
E, por falar em super-visão e antes que vocês perguntem o que tudo isso tem a ver com Superman, digo logo que tem muito, afinal já expliquei há tempos que o Superman que o mundo atual precisa não é aquele que vai atrás de “bala perdida pra deter” e de “bandido pra prender”.
Numa cidade pequena como a que vivemos, a prioridade é conter a ignorância, semear a concórdia, preservar o meio-ambiente, priorizar a educação.
Monteiro Lobato, em frase célebre, disse que “um país se faz com homens e livros”. Freud, igualmente, arremata afirmando que “só o conhecimento trás o poder”.
Então, se somos Superman´s em busca de um mundo de Superman´s, é a educação, como antítese da ignorância, a grande revolução que construirá um mundo mais virtuoso para nós e nossos descendentes.
Boa sorte a todos que já adquiriram a super-visão para ver a mão de Deus em todo o caminho para se tornar um Superman nos dias de hoje.
Escrito por Kal-El às 18h50
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